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POR QUE MARINA SUGERE UM PLEBISCITO?

Nós que não somos letrados em questão políticas, às vezes não compreendemos certas posturas. Daí a necessidade de maior informação. Diante de vários questionamentos sobre o porquê Marina Silva acha que um plebiscito é a melhor forma de lidar com a questão do acordo, recorri à sua assessoria. Que ela é a favor da vida e contra o aborto, tem sido sua constante afirmação. Tomo a liberdade de compartilhar trecho de uma correspondência pessoal da assessora Jane Vilas Boas, que julgo esclarecedora, embora em termos mais jurídicos.

“O Estado não se envolve em questões morais, mas tem que se ater estritamente ao que está na lei em sua atuação. O povo pode fazer tudo que a lei não veda. O gestor público só pode fazer o que a lei prescreve. Esse é um princípio básico para compreender a diferença entre as ações da pessoa física e as de alguém ocupando um cargo público, como por exemplo o de Presidente da República.

A Marina, como estadista que é, se posiciona pelo plebiscito para resolver, da forma mais democrática e legítima possível, o aspecto jurídico desses dois temas: a criminalização, tanto do aborto como do uso da maconha. Os aspectos morais dos dois atos não são assunto do Estado, mas sim de outras agências sociais, inclusive as igrejas e as famílias.

Como pessoa, considerando aí sim seus princípios morais e religiosos, ela se posiciona contra os dois atos. Mas como candidata a Presidente da República, não pode sinalizar que vai impor sua vontade pessoal, sem considerar os institutos legais que normatizam qualquer matéria. Isso seria ditadura, algo absolutamente distante de suas convicções e práticas políticas.

E por que o plebiscito?

Porque esses dois debates já têm bastante história e polêmica acumuladas na sociedade. Como há várias iniciativas e discussões, tanto na forma de resoluções de Conferências Nacionais (de mulheres, de direitos humanos, etc.) como na forma de iniciativas legislativas, chegamos ao ponto de aferir a legitimidade democrática da instância que decide o que será a norma legal que o país e os gestores públicos seguirão.

Nossa Constituição, chamada de Carta Magna, estabelece no seu primeiro artigo, no parágrafo único que “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”. Esse é um princípio de todas as democracias ocidentais, não só no Brasil. O povo é o titular único do poder do Estado. Um governante que não observa esse princípio constitucional não está agindo como  estadista.

Ao longo de sua trajetória política Marina tem dito, várias vezes, que o representante não substitui o representado. Em seu mandato, várias das iniciativas legislativas foram construídas através de seminários, reuniões, audiências públicas, coleta de contribuições técnicas com acadêmicos, cientistas, populações tradicionais. Usou muitas formas de elaboração coletiva de iniciativas legislativas. Ela sempre exerceu o poder que foi dado a ela por meio de eleição, de forma respeitosa com quem a elegeu. Fez inclusive várias reuniões com apoiadores no Acre para prestar contas do mandato. Portanto, nessas duas questões presentes, que dividem a população e que já vem se arrastando há anos em muitos lugares e por dentro de muitas instituições, ela não poderia ser incoerente. Assim, para dar uma resposta socialmente relevante, entende que deve ir à fonte primária do poder: a participação direta dos cidadãos de todo o país, sem a mediação dos representantes.

Nenhum político sério deve se sentir incomodado com a participação direta dos cidadãos. Ele deve entender que é só representante, a fonte de poder continua sendo o povo, seus eleitores, portanto. E esses eleitores podem, constitucionalmente, exercer o poder direto de várias formas sem que os parlamentares eleitos possam se opor. Alguns mecanismos previstos na nossa Carta Magna são:

– plebiscito – previsto no Art. 14, I;

– referendo – Art. 14, II;

– iniciativa popular de leis – Art. 14, III; art. 61, § 2º; art. 27, § 4º; art. 29, XIII;

– direito de informação em órgãos públicos – Art. 5º, XXXIII;

– direito de petição administrativa – Art. 5º, XXXIV (a Marina tem inclusive recomendado o uso deste direito para peticionar à Receita Federal para saber se o próprio sigilo foi quebrado, frente ao caso de quebra ilegal de sigilo da filha do Serra);

– ação popular – Art. 5º, LXXIII;

– denúncia direta ao Tribunal de Contas da União – TCU – Art. 74, § 2º;

– fiscalização popular de contas públicas – Art. 31, § 3º.

Essas são só algumas das principais formas de exercício direto do poder de que dispomos como cidadãos.

É claro também que esses institutos não podem ser usados banalmente, não podem ser empregados para disputas políticas menores, mas apenas por razões nobres, relevantes, com estatura sociológica para que se lance mão de algo assim.

Os números estatísticos, a criminalidade, os custos sociais, as vidas destruídas, as dores das pessoas causadas tanto pela gravidez indesejada e o recurso ao aborto (por risco médico, imprudência, desconhecimento ou violência contra a mulher) quanto pelas circunstâncias sociais em torno do uso de drogas, indicam, na compreensão da Marina, a necessidade de medidas desse tipo.

Esses temas não deviam estar ausentes das orações e ações das igrejas. A convocação de um plebiscito deve ser vista pelos irmãos como a oportunidade de debater, com princípios cristãos, o assunto dentro da membresia das igrejas e também de estabelecer um diálogo com os demais setores da sociedade. É oportunidade para agir, para ser sal e luz, como diz a Palavra Sagrada.

É claro que as pessoas podem não concordar com a expectativa de que a Igreja interfira como o bom samaritano o fez, quando há dor, sofrimento, perda de almas. Também corre-se o risco de que as pessoas possam querer equivocadamente que se use o Estado com dois pesos e duas medidas: democracia quando o assunto nos interessa e ditadura quando somos contra. Mas não se pode dizer que a postura da Marina diante disso não é democrática, legalmente correta, socialmente justa. E que há integridade e coerência no que ela pretende fazer. Principalmente é necessário que fique claro que ela vai  precisar muito ser ajudada nesse intento por todos que têm sede de justiça.”

Em poucas palavras simples: Sendo o Brasil uma população com mais de 90% da população cristã, incluindo católicos e evangélicos que defendem os mesmos valores da vida, certamente será o melhor caminho para decidir o assunto e encerrá-lo. Ele se arrasta por anos e corre o risco de ser aprovado no próximo congresso.

Jornalista Walter Gonçalves

Marina é cristã. Não só na hora da campanha, e não só por palavras, mas por convicção e prática diária. Marina é ética, é íntegra, sua trajetória de vida comprova isto. Marina é reconhecida em todo o mundo como uma referência na luta em favor do meio ambiente – o que significa não só o cuidado necessário com o planeta, mas real qualidade de vida para todos. Desenvolvimento sustentável, justiça social e ética na política são suas grandes bandeiras. Tudo isso nos dá a convicção de que Marina representa uma nova política para o Brasil. Uma possibilidade tal que parece até utópica. Mas é real, é bem possível. Já em 2010.
Marina congrega na Assembléia de Deus. Ela não se envergonha da fé evangélica. E seu jeito de fazer política, entre os crentes, não é o da troca de favores. Marina não faz política na base da barganha ou da compra de votos. Sua política é a do livre convencimento, é a do debate em torno de suas bandeiras. Com respeito ao Corpo de Cristo. Com respeito aos irmãos de todas as denominações e partidos. Em pleno mundo da política, Marina procura seguir os ensinamentos do Sermão do Monte: jamais trata seus adversários como inimigos, jamais os demoniza, mesmo que ela possa ter opiniões completamente diferentes e que eles não demonstrem ter o mesmo respeito.Ex-empregada doméstica, Marina foi criada em um seringal, em meio à floresta, no Acre. Ela aprendeu a ler aos 16 anos de idade.
Ainda muito Jovem, com valores sólidos, tornou-se uma líder na defesa da floresta e dos trabalhadores. E, aos 36 anos, foi a senadora mais jovem da história. Marina venceu, ao longo da vida, muitos adversários poderosos. E nunca parou de crescer: continuou a estudar, preparando-se para servir cada vez melhor ao Brasil. Por isso Marina tem também o apreço, o apoio, a admiração de muita gente que não é evangélica. Gente que se entusiasma com seu trabalho, sua postura, sua inteligência, seu caráter. Ela também tem demonstrado pautar-se, de forma sábia e bíblica, pela tolerância e respeito com os que não crêem, o que quebra barreiras em relação não só a ela, mas a todos os que professam a mesma fé evangélica.
Firme em suas convicções, mansa no falar. De aparência frágil, Marina é uma guerreira incansável. Tudo isso nos diz que ela está pronta para ser a próxima Presidente da República. Sua candidatura representa, então, uma oportunidade única para os cristãos: apoiar uma pessoa com princípios, com valores, comprometida com a Palavra de Deus. Uma de nós.

Minha Família: “Bendita do Senhor” Isaías 61:9

Cristãos, prestem atenção em Marina Silva

Utopia com pé no chão

Possível candidata à Presidência em 2010, a evangélica Marina Silva movimenta a sucessão com bandeiras como ética, sustentabilidade e respeito à diversidade

Quem espera encontrar em Marina Silva ingenuidade política e meras palavras de ordem de uma militante ambientalista vai se surpreender. Sua principal bandeira, a do desenvolvimento sustentável, já se mostra capaz de articular-se com amplos setores da sociedade, mudando os rumos do debate em torno da sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A senadora pelo Acre, que se filiou ao PV em agosto, desponta como candidata a presidente e promete não fazer apenas figuração nas eleições do ano que vem. “Quero preservar as utopias”, disse Marina, de 51 anos, ao filiar-se ao novo partido. Antenada com os esforços mundiais para frear o aquecimento global, ela afirma que estamos em uma “esquina civilizatória”, na qual todo o planeta precisará repensar seu modo de crescimento e consumo.

Casada, mãe de quatro filhos, Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima tem o dom de surpreender. Quem poderia dizer que a cabocla acreana, filha de seringueiro, que só aprendeu a ler aos 16 anos, pudesse se tornar a senadora mais jovem da história, eleita pela primeira vez aos 36 anos, em 1994? Formada em história pela Universidade Federal do Acre, ela não parou de estudar, tendo feito vários cursos. Atualmente, com uma agenda superlotada, ainda encontra tempo para uma pós-graduação em psicopedagogia. Herdeira política do líder seringueiro Chico Mendes (1944-1988), Marina foi ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008, quando, após esgotar os esforços para fazer da política ambiental uma prioridade no governo Lula, preferiu voltar ao Senado. Sua saída teve grande repercussão na imprensa internacional.

O impacto provocado por sua desfiliação do PT também não foi pequeno. Mas pareceu o caminho natural de Marina, que une sua voz frágil à firmeza de suas convicções. Em 2007, foi escolhida pelo jornal britânico The Guardian como uma das 50 pessoas em condições de ajudar a salvar o planeta. Sua lista de premiações é longa. Dentre muitos outros, ela recebeu o prêmio 2007 Champions of the Earth, o maior das Nações Unidas na área ambiental. A aparente fragilidade física – ela foi vítima de muitas malárias e de hepatites, além de ter sofrido com a contaminação por metais pesados – desafia o fôlego de quem queira acompanhar seu ritmo de trabalho, que entra pela madrugada.

Formada políticamente pelas Comunidades Eclesiais de Base, Marina não renega o que aprendeu, mas confessa com clareza sua fé evangélica. Desde 1997, congrega na igreja Assembleia de Deus, em Brasília. Ela procura preservar sua vida devocional da curiosidade alheia, evitando também o uso político de sua fé. Nesta entrevista, concedida com exclusividade a CRISTIANISMO HOJE, a senadora, em raro momento, se permitiu falar de sua conversão e de sua vida cristã.

CRISTIANISMO HOJE – Como foi sua conversão à fé evangélica?

MARINA SILVA – A gente sempre tem a chance de se tornar cada vez mais dependente de Deus pelo amor que ele tem para conosco. Mas a maioria de nós busca esse amparo e segurança no momento de dor. E comigo não foi diferente. Eu me converti em 1997, numa situação de problema de saúde muito grave. Meu médico, o doutor Eduardo Gomes, após uma batalha comigo por muito tempo, me mandou para o Massachussetts General Hospital, nos Estados Unidos. Fiquei lá quase um mês, fiz uma série de exames, e o diagnóstico confirmou a contaminação por metais pesados. Não era mercúrio, era antimônio, que gerava problemas semelhantes. Só que o medicamento que poderia ajudar a combater a contaminação por antimônio não estava liberado ainda pela FDA [Food and Drug Administration, órgão do governo americano que regulamenta o setor farmacêutico]. E eles não aplicariam o remédio nem com minha autorização, devido ao risco de desencadear um choque anafilático ou uma hepatite medicamentosa grave – e eu já tinha tido três hepatites e cinco malárias. Na época, meus rins eram muito sobrecarregados e eles disseram que o remédio poderia também levar a uma sobrecarga e fazer uma paralisação renal. Então esqueci esse remédio. Voltei ao Brasil muito triste. Fui à nova consulta, muito mais para chorar minhas pitangas, e meu médico até brincou, dizendo “senadora, a senhora não precisa de médico, precisa de um milagre”. Fui então apresentada a um grupo de oração. E me converti, me batizei e passei a ter uma relação de muita proximidade com a Palavra, de muito recolhimento e muita oração. Foram experiências muito profundas.

E como ficou a saúde?

Depois de dois anos – e toda quinta-feira eu ia para o círculo de oração –, em um momento de oração pelos enfermos, eu estava na fila e me vieram à lembrança as letras “DMSA”. Na hora, não me ative. Mas depois me dei conta que era o tal remédio e pensei: vou tomá-lo. Liguei para o doutor Eduardo e perguntei se poderia tomar o remédio caso eu me comprometesse. E conseguimos, veio o remédio. Tomei a primeira dose, não aconteceu nada… Tomei a segunda e nada e, no terceiro mês, tomei a última. Seis meses depois eu fiz um teste de sangue que finalmente mostrou níveis de contaminação mais baixos do que o limite tolerado pela Organização Mundial de Saúde. Então, eu fui atrás da bênção de Deus e encontrei o Deus da bênção. Talvez, se eu tivesse encontrado primeiro a bênção, tivesse desistido de Deus. Mas ele sabiamente se deu primeiro a mim, e depois veio a bênção. E foi um milagre! Para mim, era um milagre, porque a maior dificuldade era remover aquela montanha do medo, da insegurança por tomar um remédio sobre o qual os médicos não se responsabilizavam. Então essa montanha foi removida pela fé e pela graça de Deus. E a ciência removeu a outra, que foi a do antimônio, que já estava impregnado nos meus tecidos.

Como se dá hoje sua vida devocional?

Se estiver em Brasília, nos finais de semana eu vou à igreja Assembleia de Deus. Ultimamente, as viagens são muitas. Mas também, durante a noite, eu sou convidada pelas igrejas Brasil afora. Então me sinto congregando intinerantemente. E, obviamente, leio a Palavra, faço minhas orações.

No cenário político nacional, cada vez que alguém se diz evangélico, vem uma chuva de perguntas sobre temas como aborto, eutanásia, homossexualidade, criacionismo. Como a senhora lida com isso?

Fui católica durante muito tempo, e desde 1997 me converti à fé cristã evangélica. Muitos dos fundamentos que tenho, sobretudo os valores éticos na política, eu os trago da minha experiência espiritual primeira, da teologia da libertação, que foram essenciais na minha formação política. Agora, como evangélico, a sua experiência com Deus, a sua intimidade com ele, não pode ser diferente da vivenciada por Jesus Cristo. Ele sabia fazer as mediações corretas. Havia momentos em que ele se recolhia com seus discípulos, ia para o Monte das Oliveiras, ia para algum lugar para viver aquela experiência, mesmo que fosse dentro de um barco isolado. E tinha momentos que ele se colocava para a sociedade, preservando os mesmos princípios, os mesmos valores – mas sendo muito cuidadoso em respeitar as outras pessoas, que não professavam as mesmas crenças, que não tinham a mesma visão. Ele até confrontava a tradição de que você tinha de estar sempre com seus iguais. E procurava estar com os diferentes, e bastante diferentes: publicanos, estrangeiros… E o tempo todo Jesus tinha uma abordagem também muito respeitosa dessas diferenças. Acho que a melhor forma de viver a espiritualidade é seguindo esse exemplo. Jesus tinha uma atitude respeitosa também em relação ao Estado. Em nenhum momento ele quis tomá-lo de assalto ou criar um Estado paralelo. Ele soube muito bem separar as coisas. E quando ele era confrontado, pelos receios políticos que se tinha da sua fé e da sua liderança, do seu ministério, ele dizia que seu reino não era deste mundo. Então, um reino que é de outro mundo fica mais difícil de combater… E fica também mais difícil de temer, sobretudo por aqueles que não acreditam.

É possível manter a ortodoxia evangélica no contexto de Estado laico?

O Estado laico não é crente, nem ateu, nem agnóstico. É o Estado laico que assegura que eu tenha uma fé e que, em função da minha fé, eu não venha sofrer nenhum tipo de sanção. Que eu possa vivê-la nos diferentes espaços: no meu trabalho, na minha casa, no mundo. O Estado laico não é só para proteger os não-crentes dos crentes, é também para proteger os crentes dos não-crentes e possibilitar que ambos sejam protegidos no espaço em que a alteridade possa ser realizada e vivenciada, sem que isso signifique que você tenha que viver uma “dupla personalidade”. As pessoas querem que você diga que a sua fé não tem nenhuma consequência. Obviamente tem. Mas, como diz a Bíblia, não é por força nem por violência que se convence as pessoas.

Existe ética na política?

Bem, se não existisse ética na política com certeza eu já teria desistido [da política] há muito tempo. Eu acho que a falta de ética está em todos os lugares, e a ética também está em todos os lugares – ou estaríamos contradizendo a ideia de que o trigo nasce junto com o joio. E esse joio da falta de ética talvez nasça mais em alguns lugares porque parece que a terra é mais fértil. Mas o joio, de uma forma muito disfarçada, nasce em todos os lugares, inclusive dentro das igrejas. A Bíblia fala com muita sabedoria: aquele que pensa que está de pé, tenha cuidado para que não caia. É uma luta de todos os dias, de todos os momentos, de todos os instantes, porque ninguém é perfeito. Ninguém pode evocar-se como dono da ética, da moral, da verdade… Mesmo Jesus teve que conviver com os antiéticos – obviamente sem fazer alianças com eles…

A senhora gosta de citar Santo Agostinho. Ele é seu autor preferido?

Eu, de fato, gosto muito das coisas do Santo Agostinho. Acho que ele deu uma fundamentação muito significativa para o pensamento moderno, por incrível que pareça. Tudo o que ele foi capaz de fazer, integrando parte da filosofia grega com o cristianismo, deu uma contribuição muito relevante, inclusive para a avanço da própria ciência, da civilização ocidental. Não consigo imaginar como seriam as coisas sem essas contribuições. Sou, digamos assim, uma apaixonada pela psicanálise. E para mim foi muito encantador verificar que, antes de Sigmund Freud, Santo Agostinho já esboçava algumas coisas muito interessantes sobre a questão da libido e sobre o inconsciente – ele dizia que atrás da memória lembrada existia uma memória não lembrada, e que parece que é ela que nos dirige. Isso, em Freud, ganha o nome de inconsciente. E Santo Agostinho falava disso, mas falava também de uma outra memória não lembrada, que é o tempo em que nós tivemos a natureza do Éden, antes da queda. E ele tem uma oração muito bonita, uma poesia para mim, referindo-se ao Espírito Santo: “Tarde vos amei, beleza tão antiga e tão nova. Tarde vos amei. É que estáveis dentro de mim e eu estava fora de mim”. E eu li isso várias e várias vezes, e cada vez era maravilhoso, sublime, que é quando a gente se encontra com a natureza daquilo que a gente é. Então, eu gosto muito dele, e gosto muito das coisas de [G.K.] Chesterton e do Philip Yancey, que passou a ser para mim uma leitura muito edificante. E, claro, ler essas coisas “no original” é mais encantador: é na Bíblia…

A senhora já declarou que não faz parte da bancada evangélica. Existe bancada evangélica?

Existe uma articulação. Respeito as pessoas que procuram se organizar, enfim. Há a bancada da saúde, da educação. E tem a bancada evangélica. Mas acho que quando se trata da questão religiosa, a gente tem que procurar estar integrado ao todo, assumir a posição de sal. O sal, ao se cristalizar em si mesmo, não tem como se diluir e dar o sabor. Eu acho que é muito melhor essa diluição e se transformar em sabor. Essa é a minha percepção, sem nenhum demérito para os que assim se organizam e acham que essa é a melhor forma. Quando veio o convite para fazer parte da bancada evangélica, eu expliquei que achava que nós, os cristãos – católicos, evangélicos –, deveríamos atuar como parlamentares brasileiros do Congresso, sem precisar estarmos organizados como uma bancada, como se fosse uma coisa dos evangélicos trabalhando para o interesse dos evangélicos.

De que forma as igrejas podem contribuir para a conscientização e a participação políticas?

De muitas formas, inclusive com os valores que a gente gostaria de ver como reflexo de uma ação política justa, democrática, coerente, honesta. Isso tem que ser traduzido nas razões pelas quais se escolhe em quem votar. Às vezes a gente não faz essa ligação. E as pequenas coisas instituem aquelas que a gente tanto critica. As pessoas podem achar que é uma bênção comprometer o voto da igreja porque alguém promete dar as telhas para o templo… Será? Pois não é, não. Vai dar o púlpito para a igreja. Será?… Não significa que não se deva receber contribuições livres, de quem quer ajudar de forma liberal e feliz, com alegria. No entanto, isso não pode caracterizar nenhum tipo de troca, porque o voto é soberano. É preciso ter essa consciência de que não devemos corromper e nem ser corrompidos no nosso voto.

É errado usar a religião para obter voto?

Se for um uso de uma forma utilitarista, já é um erro em si. Se há alguma identidade programática, de visão, de propostas, aí são identificações legítimas que se expressam no mundo da política. O que você não pode, no meu entendimento, é ter uma relação utilitária e utilitarista com a igreja e transformá-la em palanque. É legítimo para as lideranças que tenham vocação política pleitear o voto. Pois você procurará receber apoio entre aqueles que conhece e dos quais você é conhecido. Assim é no sindicato, é em todos os espaços. O que nós não podemos é perder a dimensão de que na igreja teremos pessoas de todos os partidos, assim como pessoas que não têm partido, e de que aquele espaço ali deve estar à disposição para todas as pessoas. E uma posição tendenciosa faz com que as outras pessoas se afastem.

A senhora vê risco de se repetirem, no Brasil, os mesmos erros que a Igreja cometeu ao longo da história?

É preciso ter muito cuidado. Se a história só se repete como tragédia ou como comédia, por que iremos querer repeti-la? O que aconteceu historicamente no mundo inteiro não pode ser motivo de riso. Então não pode ser comédia. É algo muito grave e que nos ensinou a todos. Temos que perseguir o olhar do Mestre. Ele soube muito bem separar as coisas e não usar seu poder para transformar pedras em pão. Ele soube muito bem usar o poder da igreja, o poder da fé, no momento certo, na hora certa, não teve nenhuma ansiedade em transformar pedras em pão, para deixar bem claro que nós, cristãos, vivemos mais de verbo do que de pão.

O que falta para as igrejas acordarem para a questão ambiental?

Algumas já estão acordando. Já existem muitas iniciativas embrionárias. Mas as igrejas não são diferentes das contradições que existem no mundo. Esse despertamento da questão ambiental é muito recente. Nos últimos trinta anos, essa militância foi se ampliando cada vez mais e agora ela chega também às igrejas. Parece uma incoerência quando a gente diz que ama o Criador e não respeita a criação. A gente levou muito tempo para fazer essa ligação de respeito com a natureza, de respeito à vida, de respeito a outras formas de existência, de um uso cuidadoso dos recursos naturais. Leonardo Boff diz que ficamos muito presos a Gênesis 1.28 – “dominai [a Terra]” – e nos esquecemos de Gênesis 2.15, que diz que Deus colocou o homem no jardim para o cultivar e guardar. Eclesiastes diz que é melhor uma mão cheia com tranquilidade do que duas mãos cheias com aflição de espírito. Já era uma espécie de prenúncio do desenvolvimento sustentável. Quisemos encher as duas mãos e agora estamos vivendo várias aflições de espírito, por não usar adequadamente os recursos naturais. Eu acho melhor uma mão cheia de paz e tranquilidade.

A ministra Dilma Rousseff disse recentemente que sofre preconceito por ser mulher na política. A senhora tem uma experiência parecida?

Ela disse isso no contexto em que foi acusada de usar a máquina pública. Agora, eu acho que a gente tem que ter muito cuidado ao se colocar no lugar de vítima. Se há um desrespeito à lei, não se pode usar essa história do preconceito como escudo. Senão, você banaliza o próprio preconceito. Se eu fizer uma coisa errada, e as pessoas me criticarem, não posso me escudar na condição de mulher para reivindicar o direito de ficar errando porque sou mulher. Se há preconceito, e ele existe em relação às mulheres, não posso utilizá-lo para ficar me vitimizando e continuar fazendo as coisas erradas. Então, alguém me critica e digo, “ah, é porque eu sou mulher”? É uma banalização que não é pertinente.

A senhora disse recentemente que é preciso dar fim ao ciclo de FHC e Lula…

A gente tem que entender a história como processo. Acho que o Brasil acumulou coisas boas e coisas negativas nos últimos 16 anos. Os acertos precisam ser reconhecidos: conseguimos estabilizar a democracia e consolidá-la; fizemos a estabilização econômica e, além dessa estabilidade, a distribuição de renda e justiça social. São coisas que devem ser preservadas. Tivemos aí a contribuição do sociólogo e a do operário. Mas a história não para por aí, e ainda bem que não. E eu não tenho dúvida de que o grande passo a ser dado na história do Brasil é a nova visão de modelo, saindo da visão de desenvolvimento predatório para o uso sustentável. Saúde, educação, emprego, moradia, mas sem a destruição do meio ambiente – que não venhamos a destruir as bases naturais do nosso desenvolvimento, nossas florestas, nossos recursos hídricos e a fertilidade das terras por processos de erosão e desertificação. O mundo está numa crise de proporções inimagináveis. É uma crise civilizatória, e a humanidade vai ter que fazer um movimento consciente para não inviabilizar as possibilidades de vida na Terra. Um aumento de 2º Celsius na média de temperatura do planeta pode inviabilizar todo o resto. Então, cada país, cada governante, tem que estar comprometido com essa agenda – sobretudo, combatendo o aquecimento global e impedindo as mudanças climáticas.

Se eleita presidente, como lidaria com essas questões?

Qualquer governo terá que integrar as duas coisas: os acúmulos positivos herdados da economia do século 20 e as possibilidades inéditas que começam a surgir da economia verde do século 21. Essa economia nova não nega os avanços positivos que acumulamos às custas da degradação ambiental, mas também não tem como permanecer no mesmo caminho. Vai ter que se reelaborar e repensar como produzir, como consumir, com um questionamento mais profundo. O senador Cristovam Buarque [PDT-DF] chama este momento de esquina ética, ou esquina civilizatória. Estamos diante dela, e como diz Chesterton, não podemos colocar a modéstia no lugar errado. Ele afirma que a modéstia se deslocou para o lugar da convicção. Não podemos ser modestos na convicção de que devemos, sim, proteger os recursos naturais. Um grande ensinamento vem do patriarca Abraão, que plantou uma árvore não para ele, mas para as gerações que viriam.

A polarização entre desenvolvimentistas e ambientalistas não inviabiliza esse processo?

A sociedade primeiro acolhe a ideia, e isso já está acontecendo no Brasil. As pesquisas mostram que as pessoas preferem pagar mais para proteger a floresta. Isso é uma energia fantástica! Nenhum governo poderia desperdiçar uma energia como essa. [O sanitarista] Oswaldo Cruz teve que chamar o Exército para obrigar as pessoas a tomar a vacina contra varíola, no início do século passado. Hoje, 95% das pessoas querem vacinar o planeta contra a destruição. Isso não vai acontecer sem conflitos ou tensões, mas a luta ambiental foge ao padrão do modelo clássico esquerda-direita. É um espaço de integração. A pessoa de direita precisa de água potável, e a da esquerda e a de centro também. Todos vão precisar de terra fértil e de ar puro. Talvez seja o momento de uma integração generosa dos esforços, para que lá na frente possamos pontuar novamente as nossas diferenças.

Se a senhora sair mesmo como candidata de um partido pequeno como o PV à Presidência da República, vai viver uma espécie de luta de Davi contra Golias, não é mesmo?

Sim, eu vou continuar fazendo questão de não usar a armadura de Saul.

Espiritualidade engajada

As eleições de outubro se aproximam e, com elas, a chance de as urnas levarem o país a uma renovação na forma de se fazer política. Mas, também, cresce a possibilidade de chegarem ao poder aqueles que farão do cargo o trampolim para a corrupção, o desvio de recursos públicos e o enriquecimento ilícito. Isso faz com que, para um número cada vez maior de brasileiros, o termo “política” nada mais seja do que um sinônimo de desonestidade.

Diante de um cenário assim, duas são as grandes tendências dos cristãos no contexto brasileiro. A primeira é caracterizada pela omissão. Para os que fazem tal opção, a Igreja não deve se envolver com política, ou mesmo falar sobre ela. Nessa ótica, o papel dos cristãos é trabalhar arduamente para a “salvação das almas”, uma vez que tudo que vemos e ouvimos acerca da política é fruto dos últimos dias anunciados por Jesus – além disso, o próprio Cristo disse que seus filhos não são deste mundo.

A segunda tendência, é norteada por uma postura utilitarista. Para os que fazem esta opção, eleições são o momento ideal para se obter vantagens junto àqueles que desejam o poder político. Assim, os crentes oferecem os votos que os políticos desejam para, mais tarde, receber daquele candidato eleito benefícios como concessões de rádio ou TV, terrenos públicos para a construção de novos templos ou até mesmo cessão de ônibus gratuitos para transporte do povo a algum congresso ou culto comemorativo.

O que cristãos envolvidos por tais tendências não se dão conta é de que ambas nos conduzem ao pecado. Enquanto a primeira nos conduz ao pecado da omissão, a segunda nos leva à cumplicidade com o erro. Como consequência destes pecados, verbas destinadas a legítimos gastos públicos – como saúde e educação – ou à infraestrutura que beneficiará todos os cidadãos jamais chegará ao destino certo.

Mas há uma terceira via, a da espiritualidade engajada, aquela que leva os crentes a ter os olhos fixos na eternidade e os pés firmados na história. O texto bíblico revela muitos exemplos de gente que seguiu este caminho, trazendo benefícios não só a si mesmos, mas principalmente à comunidade em que viviam. Pessoas que, no cenário da administração pública, optaram por viver em integridade, servindo à sua geração e fazendo diferença na história. Gente como José no Egito, Daniel na Babilônia ou Neemias na Pérsia. Paralelamente a estes, encontramos também os profetas, que se levantaram para cobrar de reis e governantes a justiça e a paz desejadas por Deus para o seu povo.

Em séculos mais recentes, esta mesma espiritualidade engajada moveu cristãos piedosos. O que dizer de John Wesley e sua luta pelos direitos dos trabalhadores nas indústrias inglesas do século 18? E de William Wilberforce e seu engajamento na luta pela abolição da escravatura? George Muller (1805 – 1898) e seu cuidado de mais de dez mil crianças em orfanatos na cidade inglesa de Bristol, e Abraham Kuyper (1837 – 1920), com sua atuação como pastor, jornalista, professor e político na Holanda são outros exemplos, assim como Madre Tereza de Calcutá (1910 – 1997) e seu incansável serviço aos miseráveis da Índia – ou “os mais pobres entre os pobres”, como dizia a religiosa.

Muitas são as formas através das quais os servos de Deus podem desenvolver uma espiritualidade engajada. Primeiramente, incluindo os grandes temas de nossa nação em nossas orações, pedindo ao Senhor que derrame uma crescente consciência de justiça e paz na mente daqueles que lideram nosso país. Podemos também incluir os valores de uma cidadania responsável como expressão de nosso amor a Deus e de nosso engajamento em sua missão no mundo. Cristãos dedicados na construção de um mundo melhor, seja na dimensão socioeconômica, seja na dimensão ecológica, estão engajados na agenda do Reino e na expressão do amor ao seu Rei.

O envolvimento consciente com a realidade política de nossa nação é também uma forma de expressarmos uma espiritualidade engajada. Alguns serão desafiados para, a exemplo de Daniel ou de José, trabalharem dentro do Estado. Outros, à semelhança dos profetas bíblicos, serão levantados para cobrar atitudes daqueles que têm em suas mãos o poder. Contudo, a maneira como votamos também expressa quão engajada é nossa espiritualidade. Ouvir o que dizem e como agem os candidatos, verificando quais apresentam compromissos mais afinados com os valores do Reino de Deus, também são expressões dessa espiritualidade.

Caros amigos,

As linhas que escrevo agora são fruto de muita reflexão e oração. Há semanas

venho ensaiando escrever isto e o mero desejo de meu coração tornou-se uma

necessidade de minha consciência. Muitos de nós têm acompanhado de perto o

desenvolvimento de questões ligadas à vida e à família em nossa nação. Sem

dúvida alguma, nestas questões a sociedade brasileira tem trilhado no

caminho da impiedade por conta de um governo que, além de permitir a

iniqüidade, em muitos casos a apóia.

Antes de continuar, deixe-me dizer que, como a Bíblia instrui, oro pelo

presidente da República e por seu governo. Mais do que orar, nutro admiração

pelo nosso presidente. Sua história de pobreza no sertão nordestino e sua

ascensão ao cargo mais alto da nação é algo que me fascina. Sempre votei no

Lula. Sendo eu filho de um bravo nordestino, metalúrgico e ligado ao

sindicato, então, logo simpatizei com a figura do nosso presidente. Todavia,

como pastor presbiteriano, não posso me calar diante das iniqüidades que seu

governo tem cometido e que ainda pretende cometer em nossa nação. Exponho a

partir de agora quais são estas iniqüidades:

1. Erotização de nossas crianças

O Governo Federal, através dos Ministérios da Saúde e da Educação, tem

produzido material com imoralidade para ser distribuído aos nossos filhos

sob o pretexto de educação sexual. Veja por si mesmo nos links abaixo:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cartilha-governo-lula-estimula-

alunos-13-19-anos-narrar-suas-transas/

http://www.diversidade.papocabeca.me.ufrj.br/index.php?option=com_content&vi

ew=article&id=3&Itemid=3&lang=pt

http://www.papocabeca.me.ufrj.br/diversidade/DiversidadeWeb.pdf

http://noticias.r7.com/vestibular-e-concursos/noticias/recife-recolhe-livro-

de-educacao-sexual-para-criancas-20100428.html

O Governo Federal, que deveria ser o guardião da educação de nossos filhos é

hoje quem mais os encaminha para a imoralidade sexual.

A Bíblia diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda

quando for velho, não se desviará dele”. (Provérbios 22.6). Deus vai cobrar

do atual governo o que ele tem feito na educação de nossas crianças.

2. Incentivo ao homossexualismo

No dia 14/05/2009 o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Promoção da

Cidadania e Direitos Humanos de LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis

e Transexuais). O plano é formado por 51 diretrizes que têm o objetivo de

influenciar todos os segmentos da sociedade com a filosofia homossexual. O

Governo Federal é o maior patrocinador do movimento homossexual no Brasil.

Veja os links abaixo:

http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/brasilsem/plano_lgb

t/

http://www.abril.com.br/noticias/brasil/governo-lanca-plano-defender-direito

s-civis-populacao-lgbt-470514.shtml

http://portal.mj.gov.br/sedh/homofobia/planolgbt.pdf

Em paralelo a estas ações de expansão de incentivo ao homossexualismo, o

Governo também trabalha na aprovação do Projeto de Lei 122/2006, apelidado

de “lei da mordaça”, que pretende criminalizar a discordância ao

Homossexualismo. Se aprovado, o projeto atentará contra a liberdade de

expressão prevista em nossa constituição e permitirá ao Estado punir

qualquer indivíduo que demonstrar discordância quanto à prática homossexual.

A Bíblia diz: “Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse

mulher, ambos praticaram coisa abominável” (Levítico 20.13). “Deus entregou

tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para

desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em

mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é

bendito eternamente. Amém! Por causa disso, os entregou Deus a paixões

infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações

íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também,

deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua

sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si

mesmos, a merecida punição do seu erro.” (Romanos 2.24-27)

3. Defesa do aborto

Em Setembro de 2007 o PT aprovou seu apoio à legalização do aborto:

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1874487-EI7896,00.html

Em 2008 a Fiocruz, instituição vinculada ao Ministério da Saúde, liberou R$

80 mil para a filmagem do vídeo “O fim do silêncio”, que mostra depoimentos

de mulheres que abortaram seus filhos e defendem a descriminalização da

prática. A diretora Thereza Jessouroun diz, na reportagem, ter idealizado o

roteiro ao ouvir declarações do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a

favor da descriminalização do aborto. De acordo com ela, o projeto se

materializou após a abertura do edital da Fiocruz, cuja direção é nomeada

pelo ministro. Veja notícia do Jornal O Globo abaixo:

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/01/04/filme-reacende-polemica-em-torno

-do-aborto-587883773.asp

Por ser o PT oficialmente favorável ao aborto, em Setembro de 2009 ele puniu

dois deputados federais por serem contrários à posição abortista: Veja a

matéria abaixo:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u625663.shtml

Além disso, o novo Programa Nacional de Direitos Humanos, assinado pelo

presidente em Dezembro/2009, defende a legalização do aborto, o que gerou

manifestações de grupos contrários ao aborto em todo o país:

http://www.midiasemmascara.org/artigos/aborto/10913-declaracao-pro-vida-cont

ra-o-pndh-3.html

Diante destes fatos que atentam contra a família, a vida e contra nossas

crianças, torno pública minha intenção de voto: Votarei pela não

continuidade deste governo.

Quem me conhece sabe que nunca misturei política com ministério, todavia,

creio que o momento é grave e necessita de um posicionamento dos líderes

religiosos. Todo cristão deve atentar para o que está acontecendo e

manifestar o repúdio às iniqüidades deste governo por meio do seu voto. Não

podemos deixar que haja a continuidade deste governo.

Conclamo você, meu amigo, a continuar orando pelas nossas autoridades, a

orar pelas eleições que se aproximam e a votar conscientemente, não

escolhendo aqueles que praticam a impiedade. Termino com alguns versículos:

“Ai daqueles que, no seu leito, imaginam a iniqüidade e maquinam o mal! À

luz da alva, o praticam, porque o poder está em suas mãos.” Miquéias 2.1

“Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e

da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” Isaías

5.20

“… se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me

buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus,

perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”. 2 Crônicas 7.14

Rev. Ageu Cirilo de Magalhães Jr.

Pastor Presbiteriano

Texto original em www.resistenciaprotestante.com.br

Convocação Nacional


Valnice Milhomens

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